Marcas da Vida
é o título desta imagem que mostra as mãos de "Dona Janaína", uma senhora com quem estabeleci uma conexão especial em um dia de celebrações.
Ela percebeu meu interesse, me viu com a câmera, e a partir de um pedido de autorização nasceu um breve diálogo e a confiança para registrar momentos únicos de sua fé.
Essa imagem, recentemente impressa em 100x75 cm, hoje decora a sala de uma cliente.
Abaixo, um pouco mais sobre a produção e a história desta fotografia...
Quadro da Fotografia
Timelapse da Impressão
HISTÓRIA DA FOTO
No dia 29 de dezembro de 2015, estive em Copacabana, no Rio de Janeiro, para registrar a Festa de Iemanjá. A celebração, marcada por cortejos, oferendas e homenagens à orixá das águas salgadas, reuniu uma multidão na areia. Enquanto alguns estavam ali apenas para aproveitar o belo fim de tarde de verão, muitos se juntavam para expressar sua fé e reverência à Santa.
Chamei Iemanjá de Santa, e não foi por acaso. No sincretismo religioso brasileiro, especialmente no candomblé e na umbanda, a orixá da maternidade, fertilidade e dos mares foi associada a diferentes santas católicas, variando de acordo com a região do país:
Nossa Senhora dos Navegantes – no Sul, pela ligação com o mar e a proteção dos navegadores;
Nossa Senhora da Conceição – no Nordeste, especialmente na Bahia, onde o dia 8 de dezembro (Imaculada Conceição) também é celebrado como o dia de Iemanjá;
Nossa Senhora da Glória ou Nossa Senhora da Piedade – em outras localidades.
Esse sincretismo surgiu no período colonial e escravocrata, quando os africanos, obrigados a adotar o catolicismo, disfarçavam o culto aos orixás sob as imagens e datas dos santos católicos. Foi uma forma de resistência e preservação de suas tradições, e até hoje é um dos traços marcantes da religiosidade brasileira.